Receitas

Culinária: A onda de comer sem pressa


Fonte: Cyber Cook

 

Momentos de tranqüilidade são raros na vida do homem moderno. Se não sobra tempo para os compromissos, comer então fica em segundo plano. Muita gente até se esquece que a primeira refeição do dia é considerada a mais importante. E a hora do almoço dificilmente é reservada para relaxar e saborear uma boa comida.


Mas há quem valorize o prazer de sentar à mesa e apreciar os alimentos lentamente, sem pressa. Tratam-se dos seguidores do slow food. Segundo Venâncio Ferrari, um dos fundadores desta corrente aqui no Brasil, o principal objetivo é defender a produção artesanal dos alimentos sem modificar as receitas originais. “Preservamos o preparo caprichado, sem mexer na receita”, explica.  Por isso, ficam proibidos alimentos industrializados, enlatados e até pré-cozidos.

Venâncio procura adotar o movimento em seu restaurante Massino, especializado em culinária italiana. Faz questão de seguir exatamente todos os detalhes das receitas com o intuito de conservar os sabores e os perfumes dos alimentos. Como exemplo, o restauranteur cita a torta de maçã, que prepara em cerca de uma hora e meia. “Tem gente que faz em 20 minutos”, comenta.

No slow food, o mais importante é usar os ingredientes típicos de cada localidade e aproveitar as características originais do alimento. “Não pensamos somente no visual, usamos a essência da boa e verdadeira cozinha que nos remete ao modo alimentar cotidiano”, acrescenta Vicci Domini, consultor gastronômico do badalado paulistano Blu, que tem como um dos proprietários o ator Fábio Assunção.

O restaurante segue a linha slow food e serve alimentos saudáveis com base na cozinha mediterrânea. “Acredito que a Salada de Pêra elucida o conceito. Ela faz prevalecer cada um dos sabores do prato, além de ser elaborada com ingredientes básicos e naturais”. Para Vicci, muitos brasileiros praticam inconscientemente alguns preceitos da filosofia slow, pois ainda é  comum um cardápio com “comida de verdade”, tanto no almoço quanto no jantar. “Não somos como os americanos que apostam no fast food, isto é, em uma alimentação rápida, geralmente composta por alimentos ultra-processados”.

Roberto Tatini se considera uma pessoa que segue o conceito ao pé da letra. Ele mantém uma cantina na pacata e silenciosa cidade de Sapucaí Mirim, localizada ao sul de Minas Gerais, e produz quase todo o alimento que é servido, como, presunto cru, trutas em cativeiro, patos, galinhas, codornas, temperos, frutas, ervas e verduras. “Nossos clientes ficam mais de três horas aqui. Enquanto preparo a receita, permanecem em contato com a natureza e observam os alimentos do local”.

Diferente do ritmo frenético das cozinhas, repleta de cozinheiros correndo contra o tempo, Roberto não tem assistentes e só começa a preparar o alimento depois da reserva. Limpa carnes ou aves e utiliza as ervas da própria horta."Tudo é degustado com muita calma e prazer, chego a ter sete pratos diferentes para cada mesa, entre eles, um couvert italianíssimo que inclui pães rústicos, sardella, caponatta”. No cardápio, o chef também inclui corações de alcachofra, carneiro com molho de uvas, fettutine verde e truta ao vinho branco.

Entre uma preparação e outra, Roberto aproveita para dar dicas de passeios turísticos da região. “Por meio da alimentação, procuro transmitir aos visitantes uma realidade simples e confortável como a minha. Atualmente tenho a liberdade de trabalhar da maneira que quero, sem regras ou imposições que as grandes cidades nos obrigam. Para mim, isso é slow food”.

Matéria assinada por:
Juliana Lopes

Smart Diet - Receitas gostosas e dicas para seu bem estar

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