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É importante cada um fazer uma análise dos próprios comportamentos, começando a se perguntar: “Tenho a tendência a culpar alguém quando algo que quero, ou pretendo fazer, não acontece como espero?” Ou ainda: “em que situações culpo outra pessoa?”. Quando culpamos alguém que nos induziu ao erro, que nos causou algum sofrimento, nos decepcionou, devemos nos perguntar até que ponto o outro foi realmente responsável por nossas próprias atitudes ou sofrimento. Por exemplo, se alguém nos dá um conselho de como devemos agir, cabe a cada um de nós decidir se é isso que desejamos. As pessoas tendem a perguntar como devem agir para terceiros, esquecendo que todas as respostas para suas perguntas estão dentro de si mesmas. Mas é certo também que em algumas situações as pessoas falam suas opiniões mesmo quando não as pedimos. Em todas essas situações podemos sofrer as conseqüências dessas opiniões e, quando as aceitamos, tenderemos a culpá-la pelo mal que nos causou. Mas do que adianta culpar alguém? Isso realmente provocará alguma mudança ou reconhecimento pelo que fez? A culpa que colocamos no outro pode ser uma projeção daquilo que verdadeiramente sentimos e pensamos sobre nós mesmos e não temos coragem de enfrentar e assim utilizamos mecanismos de defesa, onde negamos e projetamos. Culpamos os outros por falharem conosco, por nos decepcionarem, magoarem. Mas, será que não somos nós que precisamos mudar as nossas próprias atitudes, às vezes inconscientes, mudar as exigências e expectativas que impomos sobre nossos relacionamentos e nas pessoas? Quantas vezes não magoamos a nós mesmos? Será que a culpa que tentamos atribuir a alguém na verdade não é nossa própria dificuldade em nos responsabilizarmos e projetamos no outro aquilo que não conseguimos realizar de modo diferente?
Sim, o outro poderia ter terminado antes, sendo sincero e assumindo seus próprios sentimentos e não o fez. Seja o que for que nos machuque, devemos entender que nós somos responsáveis por nós mesmos e ninguém mais. Muitas pessoas nos dão sinais evidentes que não são dignas de nossa confiança e por que insistimos em confiar? Para provar que estávamos certos em nossa intuição, desconfiança, ainda que paguemos com o preço do nosso sofrimento? Ninguém “culpa” outra pessoa pelo que a ajudou. Isso nos mostra o quanto a culpa sempre vem carregada de sentimentos negativos, não trazendo o bem para ninguém. Alguém sempre terá participação nas dificuldades, como também nos êxitos, que nos ocorrem, mas é muito mais comum acusar alguém pelo que não fez ou pelo que machucou do que pela ajuda oferecida. É muito comum também culparmos nossos pais por todas nossas necessidades e expectativas não realizadas. Por mais dificuldade que podemos ter quando adultos, por mais que nossos pais não demonstraram seu amor como gostaríamos, é sempre bom lembrar que eles nos deram a dádiva da vida, e apenas por isso serão eternos merecedores de todo nosso respeito e gratidão. Quando buscamos entender nosso histórico de vida, relembrando fatos antigos, temos como objetivo encontrar a origem de nossas dificuldades atuais e não a busca por culpados. Devemos cortar sim o cordão umbilical, e nos tornarmos independentes, mas isso exige que não esperemos mais de nossos pais, tentando compensar o que eles não puderam dar em determinado momento da vida deles, ainda que esse momento tenha durado alguns anos. Devemos nos desfazer da imagem de como nossos pais deveriam ser, mesmo que não nos deram o que precisávamos, para que possamos encontrar paz dentro de nós. A idealização do que gostaríamos geralmente nos traz sofrimento. Claro que não só a idealização, mas também quando há abusos e maus tratos durante a infância, trazendo também muito sofrimento, e é natural buscar nestes casos o “culpado”, saber quem o fez e porque fez. Mas se continuarmos presos ao passado através de mágoas, ressentimentos, culpas, julgamentos, vergonha, nos manteremos reféns desse passado. O que quisemos, precisamos e esperamos que tenham nos dado no passado, ou aquilo que esperávamos que não nos tivessem feito, podemos buscar em nós mesmos hoje. Se não nos deram amor, devemos buscar em nós; se não nos respeitaram, devemos nós mesmos nos respeitar. Se quisermos nos ajudar, devemos começar a nos olhar com sinceridade e honestidade. E ainda que possamos reconhecer a participação de alguém em qualquer mal que nos aconteceu, não podemos ficar parados como vítimas impotentes, mas devemos acima de tudo aprender a agir, não contra os outros, mas em favor de nós mesmos. Quando somos injustiçados por alguém que detêm de alguma forma o poder, ou aquilo que esperávamos que não nos tivessem feito, podendo ser pai, mãe, chefe, marido, esposa, nos atingindo pelas costas, por acreditar que o poder lhe dá esse direito, devemos lembrar que só esse direito será dele se o concedermos. Só se atinge pelas costas quando não consegue atingir de frente, olho no olho, e por mais poder que demonstre ter, não tem a coragem. Pessoas com esse perfil raramente desejam perceber o mal que causam, simplesmente ignoram aos outros na mesma proporção que ignoram a si mesmos. E por mais que desejamos que através da culpa por nós imposta o outro reconheça, peça desculpas e mude, dificilmente conseguiremos algum resultado se a própria pessoa não estiver disposta a olhar para dentro de si mesma. Não devemos culpar alguém pelas atitudes que teve nem pelas que não teve, cada um deve ser responsável também pelas idealizações feitas. Esperamos demais dos outros quando deveríamos esperar de nós mesmos, não das outras pessoas. Culpa que nos
é atribuída Isso acontece porque geralmente as pessoas
não conseguem assumir suas próprias
atitudes e responsabilidade e culpam os
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