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O corpo que esta pessoa passa a emagrecer é o que está na fantasia e, como este emagrece muito pouco e nunca está perfeito - pois o nível de exigência é muito alto - passa a definhar. “O que percebemos é que existe ao nível de estrutura emocional um déficit importante de auto-estima somado a um grande sentimento de desvalia, que faz com que muitas pessoas entendam que, para serem aceitas, precisam de uma imagem perfeita, passando a hipervalorizar este aspecto”, esclarece a especialista. Este último século valorizou e firmou a imagem como um dos grandes pilares do sucesso. Os meios de comunicação passaram a divulgar um padrão de beleza que servia muito mais para mostrar roupas e não vestir roupas. “Comparados aos manequins de plástico, os corpos de proporções perfeitas começaram a habitar a fantasia de adolescentes que queriam ser aceitos, amados e mais do que isso, valorizados. Nada mais justo para a pessoa querer somar esforços para ficar igual à imagem da revista, mesmo que para isso tenha que abrir mão de sua saúde e de alguns prazeres, como comer”, diz Silvana. A bulimia é uma doença coadjuvante, muita vezes, da anorexia. “Depois de dias sem se alimentar ou se alimentando muito pouco, a pessoa pode ter um ataque compulsivo alimentar e depois se valer de algum comportamento compensatório como provocar o vômito ou tomar uma dose exagerada de laxante para se livrar da comida. Com o tempo, o anorético passa a considerar um exagero a quantidade pequena de alimento a mais do que julga necessário para se manter e assume a atitude compensatória indiscriminadamente”, afirma a psicóloga. Prisioneira de sua fantasia, a pessoa acaba também se valendo das drogas para dieta e para suportar tanta privação. Assim acaba viciada neste procedimento por ingerir quantidades maiores do que as recomendadas pelos médicos. “Na anorexia nervosa a pessoa pode recorrer a uma variedade de técnicas para estimar seu peso, que vão desde pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo, até ficar repetidamente se olhando no espelho para 'checar' sua gordura”, diz Silvana. No começo, Gláucia se viu perdida. Com apenas 18 anos, sofreu uma forte crise de depressão, que culminou na falta de vontade de comer. “Eu não tinha a preocupação de comer, e isso ajudava a me manter magra. Mas, quando vi que essa depressão me ajudava a emagrecer, eu acabei gostando da idéia”, declara. Foram quatro anos muito difíceis para a advogada. “A situação só começou a mudar, quando quase perdi a vida. Fui levada ao hospital, de emergência. Hoje, voltei a nascer e aprendi a viver com esse problema. Estou sempre em tratamento, me monitorando, porque, assim como ocorre com outros vícios, sei que terei que conviver com a sombra dessa doença até o fim”, conta Gláucia. Para a família dos adolescentes, ou mesmo para os parceiros e amigos, é muito difícil abordar a pessoa com uma doença dessas. “Normalmente o indivíduo nega todo e qualquer questionamento que lhe façam, adotando às vezes uma postura agressiva ou extremamente irritada”, afirma Silvana. “O melhor caminho então é procurar uma ajuda especializada para ser orientado quanto a melhor maneira de ajudar ou abordar a pessoa. “O tratamento adequado para esta doença envolve psicólogos, nutricionistas, psiquiatras e endocrinologistas. Toda doença é resultado de um processo, não acontece da noite para o dia, portanto, precisamos ficar atentos aos exageros de cuidados, preocupação e zelo com a imagem ou impressão que desejamos que os outros tenham de nós, pois estes fatores, aliados à solidão e tristeza, podem nos levar a doenças que sempre nos farão sofrer e muito”, diz a especialista. |
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Data de publicação: 31/07/2006 |
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